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Fábricas, Baldios, Fé e
Pedras Atiradas à Lama
Tiago Baptista
Oficina do Cego
associação Célula & Membrana/a9))))
26X18,5 cm
56 páginas
300 exemplares
2011
(Outubro)
Lisboa / Leiria
335826/11 ; não tem
Impressão off-set 1 cor (preto); miolo em papel cyclusPrint 90gr e capa em CyclusOffset 200gr.; acabamento com dois pontos de arame.
FÁBRICAS, BALDIOS, FÉ E PEDRAS ATIRADAS À LAMA

O trabalho do Tiago Baptista é, sem dúvida, autobiográfico e auto-referencial. Os seus desenhos e pinturas revelam-nos alguém com um sentido de humor particular, atento às situações absurdas da vida quotidiana e à intima ligação entre a experiência da vida doméstica com a vivência do espaço de atelier de um artista. Mais do que um retrato do Tiago – o indivíduo - este livro mostra-nos um mapa de referências do Tiago que é autor e, essa persona vive num subúrbio (como quase todos nós), usa óculos – à imagem do intelectual – e fuma como um boémio. Numa das pranchas iniciais, apresenta-se como um artista angustiado com a necessidade em justificar o trabalho que mostra, hesitante sobre qual a melhor estratégia a adoptar, mas sabendo escolher um título apelativo e irónico – de preferência em inglês - para parecer sofisticado. Noutra prancha, dialoga com um dos personagens que pinta e que subitamente ganha corpo, saí do “quadro” e põe -se a olhar para ele. Ou seja o Tiago, o autor, num momento de dificuldade é visitado e confortado por uma das personagens que cria e que é um homem de barro. Ora, para além de estabelecer uma analogia entre a pintura e a alquimia, na história da pintura um homem de barro funciona como uma citação da lenda de Plínio o velho, sobre o nascimento do desenho e da pintura.

Para além de referências teóricas, este pequeno livro de aparência simples e despretensiosa, tece uma filiação com pintores do passado como Goya ou Manet. Mas também com um conjunto diverso de realizadores de cinema como Manuel de Oliveira, François Truffaut, Andrei Tarkovski e Ingmar Bergman que são convidados por Zé Cabeludo para ir ao cinema ver e comentar blockbusters, produzidos em Hollywood. Enquanto assistem ao filme, Zé Cabeludo e os seus realizadores de eleição, tecem comentários sobre a mediocridade da trama narrativa, sobre a alienação e o poder da sociedade de consumo, e por vezes a meio do filme aborrecem-se e adormecem… Na última vinheta reconhecemos os traços fisionómicos do Tiago (autor) que se despede alegremente de nós – os seus leitores e que se despede também de um trabalho alimentar ingrato e mal pago. É neste tipo de detalhes que se nota uma grande consciência da página, uma estratégia para criar cumplicidade com o leitor, uma chamada de atenção para o facto de esta ser uma estória de ficção.
Outro aspecto que gostaria de destacar é que neste mapa de referências aqui esboçado é não haver distinção entre referências eruditas e cultura popular. Em “ A sombra de Deus” adivinho o perfil de Joseph Beuys para quem todo o homem era um artista que, nestas páginas, convive saudavelmente com o cordeiro de Deus e com a misteriosa imagem que abre e fecha o livro – um escultor curvado no difícil labor do seu ofício. E por fim, quando fechamos efectivamente o livro esmagamos o nosso cigarro, acabou-se a pausa, acabou-se a leitura, é o fim do livro. (fragmento de texto escrito por Isabel Baraona para a apresentação pública do livro na Livraria Arquivo, em Leiria)
A documentação fotográfica aqui apresentada foi gentilmente cedida por Patrícia Almeida.

Vencedor do prémio de melhor fanzine no FIBD da Amadora 2012.

O livro pode ser consultado:
- Biblioteca da ESAD.CR nas Caldas da Rainha;
- Biblioteca de Serralves, Porto;
- Biblioteca Nacional e Bedeteca de Lisboa.
id
date time
2013-02-13 10:13:19